top of page

O geoprópolis é uma substância que revela a essência do mundo ao redor da colônia. Criado pelas abelhas nativas sem ferrão, é uma complexa matéria-prima, composta de resinas, óleos essenciais, solo e cera, tornando-se um material de grande importância ecológica e medicinal. Todavia, sua grandeza vai além de suas propriedades biológicas, pois é um dos elementos fundamentais da meliponicultura – a prática ancestral de criar abelhas sem ferrão –, uma atividade fascinante e profundamente enraizada na história e cultura de diversas comunidades tradicionais pantropicais, especialmente entre os povos indígenas latino-americanos. Suas cores variadas, texturas rústicas e composições únicas são verdadeiras obras de arte, que inspiraram o autor deste livro a conceder-lhe a justa nomenclatura de “Geoprópolis”.

No universo das abelhas nativas sem ferrão, o geoprópolis e outros elementos da colônia contribuem para ecoar seu zumbido, apresentando nuances de frequências distintas, a depender da espécie. Mais do que um simples ruído, o som das abelhas está diretamente relacionado à sua comunicação, essencial para o desenvolvimento pleno da colônia. Ele orienta a movimentação das operárias, sinaliza alertas diante de fatores externos – como inimigos naturais –, auxilia na localização de floradas e na percepção de mudanças climáticas.

Esses sons, muitas vezes sutis aos ouvidos humanos, podem ser captados e estudados, abrindo portas para novas interpretações sobre o comportamento das abelhas e sua relação com os fenômenos naturais. Com essa intenção, o autor realiza caminhadas urbanas, uma ferramenta valiosa que permite não apenas mapear e registrar a presença das abelhas sem ferrão – que constroem seus ninhos em cavidades de árvores, muros, telhados e até em postes –, mas também compreender sua surpreendente adaptação ao ambiente urbano.

Ao identificar esses ninhos e observar a dinâmica das abelhas nas cidades, somos convidados a enxergar que a vida urbana vai além do concreto e do barulho humano, revelando um mundo pulsante de interações sutis e essenciais.

O zumbido das abelhas, por sua vez, não pertence apenas à ciência; ele também inspira a arte, seja na música, na poesia ou em experimentações sonoras. Há séculos, compositores e artistas exploram esses sons, recriando a harmonia da colônia. Da natureza para a criação humana, o som das abelhas ressoa como um lembrete das relações interconectadas entre os seres vivos.

Nesta obra, o autor demonstra uma sensibilidade única ao realizar uma interseção entre o geoprópolis, a sonoridade das abelhas, a arte e a cultura, mostrando como esse elemento natural pode servir tanto como uma matéria-prima quanto como uma metáfora que relaciona o fazer artístico, a experiência humana e a conexão profunda com os ciclos naturais. Ele materializa esse conjunto ao transformar os ninhos das abelhas em esculturas belíssimas, reveladas sob o papel e sob seu olhar atento, guiado pela própria inspiração que o geoprópolis lhe proporciona. Assim, ele recria ninhos que são concluídos com o toque das abelhas e suas fenomenais entradas.

Este livro é mais do que um simples relato; é um convite para escutar e interpretar a sintonia dos elementos da colônia de uma nova maneira, com curiosidade, respeito e sensibilidade. Ao longo dos capítulos, o leitor mergulhará nesse universo colorido e sonoro, sendo guiado para dentro dos ninhos esculpidos pelo autor, reconhecendo que a casa e a melodia das abelhas não são apenas detalhes da paisagem, mas peças fundamentais da grande obra natural que dá vida a todos os seres vivos.

Por fim, ao unir os elementos da colônia, este livro convida o leitor a explorar um universo onde ciência, arte e cultura se entrelaçam. Que essa jornada desperte um olhar mais sensível e atento para as abelhas nativas sem ferrão e sua profunda conexão com a humanidade, inspirando novas formas de pensar, criar, conservar e preservar


Drª Genna Sousa

Pesquisadora e meliponicultora

© 2026 João MAchado

bottom of page