top of page

TerraPrópolis - A Arte das Abelhas Nativas


Em meio à vastidão da terra, encontram-se as abelhas nativas, criaturas de rara delicadeza que desempenham um papel crucial no equilíbrio dos ecossistemas. Utilizando barro, resina e outros materiais, essas abelhas sem ferrão constroem ninhos com impressionante engenhosidade, verdadeiras obras de arte onde o precioso mel é armazenado. Em seus incansáveis e acrobáticos voos diários, de flor em flor, as abelhas transformam o néctar coletado em um viscoso ouro, por meio de uma impressionante alquimia natural.

No processo de polinização, a contribuição das abelhas promove a manutenção da biodiversidade no reino vegetal, garantindo a reprodução de inúmeras espécies e, consequentemente, a continuidade da vida humana. Sem elas, os campos floridos se tornariam desertos estéreis, a cadeia alimentar amplamente impactada, a diversidade da flora entraria em colapso e os humanos deixariam de existir. Embora discretas e silenciosas, sua tenaz capacidade de adaptação a diferentes ambientes, de florestas tropicais a cerrados áridos, permitiu que prosperassem, edificando seus ninhos em cavidades de árvores, troncos caídos e fendas rochosas. Cada ninho é um microcosmo de atividade, com cada abelha desempenhando seu papel crucial na manutenção da colônia.

Além do mel, cujo valor é amplamente reconhecido por suas características únicas que variam conforme a flora local, essas abelhas fabricam cera, própolis e geoprópolis, uma mistura de terra e própolis, utilizada para fortalecer e proteger seus ninhos, funcionando como uma barreira eficaz contra predadores. Mais do que uma substância, o geoprópolis simboliza resistência e adaptação. Inspirado por ele, o artista João Machado explora o tema em sua exposição individual, convidando-nos a refletir sobre a ausência da natureza e o impacto desse vazio em nossa psique coletiva.

Explorar galerias a céu aberto em busca dessas abelhas é, portanto, uma expressão artística para reconectarmos com o que foi perdido ou esquecido devido às insanas ações justificadas pelo descontrolado progresso. Nesse contexto, o GEOPRÓPOLIS representa nossa própria capacidade de coexistir em harmonia, mesmo em um espaço muitas vezes caótico e hostil. Ao explorar essas conexões, somos levados a refletir sobre a interdependência entre as formas de vida e a encontrar maneiras de juntos, resistirmos às forças que ameaçam nossa existência compartilhada.


Mara Quintão
Agosto/2024

© 2026 João MAchado

bottom of page